Acessibilidade e inclusão: Favela Brasil Xpress amplia vendas do comércio online em comunidades brasileiras

 


Iniciativa criada em Paraisópolis rompe barreiras entre os moradores e o e-commerce

Durante a pandemia de Covid-19, o comércio eletrônico cresceu de forma acelerada no Brasil, impulsionado pelo isolamento social. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, entre 2019 e 2022, o setor movimentou cerca de R$ 450 bilhões, mais que o dobro registrado no período de 2016 a 2019. 

Apesar desse avanço, milhões de moradores de favelas ficaram à margem desse mercado, principalmente por dificuldades relacionadas a endereçamento e logística. Nesse cenário, surgiram iniciativas voltadas à inclusão desses consumidores, como o Favela Brasil Xpress.

Solução para favelas

Em 2020, o empreendedor Givanildo Pereira, morador de Paraisópolis, em São Paulo (SP), criou o Favela Brasil Xpress. A iniciativa, desenvolvida em parceria com o G10 Favelas, bucou viabilizar entregas em áreas onde grandes transportadoras enfrentam dificuldades operacionais.

Giva, como é conhecido, conta que a empresa nasceu com o objetivo de conectar moradores de favelas ao comércio digital, superando obstáculos históricos de infraestrutura.

Crescimento e expansão

Com cinco anos de atuação, o Favela Brasil Xpress expandiu suas operações para comunidades em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. O modelo de atuação, segundo o Giva, combina tecnologia e conhecimento local.

"Enquanto plataformas tradicionais enxergam barreiras, nós enxergamos caminhos. Utilizamos tecnologia como o mapeamento com Plus Codes, um sistema de endereçamento digital criado pelo Google que transforma qualquer localização, mesmo sem CEP formal, em um código preciso, aliado ao conhecimento local, para garantir entregas mais eficientes e assertivas”, revela.

Atualmente, a empresa conta com quatro microcentros de distribuição e realiza, em média, 4 mil entregas por dia. O crescimento é acompanhado por mudanças no comportamento dos consumidores dessas regiões.

"Vimos um crescimento significativo no volume de pedidos nas regiões atendidas, mas o mais relevante foi a transformação no perfil do consumidor. Pessoas que antes estavam fora do digital passaram a consumir online com frequência”, diz ele.

 

Emprego e protagonismo local

Outro aspecto do modelo é a geração de trabalho dentro das próprias comunidades. Com cerca de 250 colaboradores, a maior parte da equipe é formada por moradores locais, o que contribui para a eficiência das entregas.

A proximidade com o território facilita a comunicação com os clientes e permite maior adaptação às dinâmicas das favelas, além de fortalecer a economia local.

Em Betim (MG), na favela do Jardim Teresópolis, a iniciativa está presente desde 2022. A operação foi estruturada com apoio de lideranças locais ligadas ao G10 Favelas e resultou na criação de empregos e novas oportunidades.

Segundo George Sérgio, presidente do G10 Favelas em Minas Gerais, foram contratados cerca de 20 entregadores e quatro colaboradores fixos para atuação na base local.

“Houve uma inclusão digital e econômica dos moradores, integração com outras frentes do G10 e o fortalecimento do protagonismo local, mostrando que a favela pode operar soluções próprias”, revela.

A expansão de soluções logísticas voltadas às favelas aponta para um movimento de inclusão no comércio eletrônico brasileiro. 

Ao integrar tecnologia e conhecimento local, iniciativas como o Favela Brasil Xpress ampliam o acesso ao consumo, geram renda e fortalecem economias regionais, com reflexos também para setores como o de alimentação fora do lar.

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